sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

6 de junho de 2005

voltar costas...


sem pés para andar. Rastejo.

nua de ti.

aperto a barriga até doer. aperto mesmo!
para vomitar o que está colado no estômago:

os lamentos engolidos e as palavras agarradas à garganta seca.

28 de abril de 2005

Esventro-me para saber o que me vai cá dentro.
! Surpreendo-me com o que vou sentindo.
Há um nojo cá dentro. Um nojo quase de mim. Um nojo dos outros. Um nojo de ti. De todos.

Sou alma demente e temente. Sou corpo sem alma. Sou lodo cá dentro.

Não me vejo.
Não me vêem.
Não quero que me vejam mas quero-o ao mesmo tempo.
(assim como te quero e não te quero ao mesmo tempo).

Sou um ser sem sentido,
deambulante,
controverso,
perverso.

18 de abril de 2005

Tam tam, tamtam, nanananananaaa................a música continua.

A dança continua. No ritmo frenético que me embala a alma.

A música.

O embalo.

O colo.

Nós.

A outra a querer mandar no que nunca será seu; a querer tomar conta do que sou; a querer saber-me; a sugar-me o sangue à última gota; a arrancar-me mais um bocado de carne que fica entre o coração e o ser.

(Quanto tempo mais isto?)

A música que me embala num colo que eu sempre quis.

A VIDA. A minha vida.
De nadas. O gostar de só. A raiva entranhada.
Rasgo a pele no acto mais fundo de mim. Não sai - está entranhada.
Sou o que querem que eu seja. Repito-me mais que uma vez que não sou eu.
Ninguém me acredita.

6 de abril de 2005


Tudo tão explícito, demasiado explícito. Gente que passa, feliz com o momento. Ensaiam gestos ao espelho para o acto de cada dia.
Planeiam frases feitas para as dizer quando convier.

São assim as pessoas.

Demasiado naturais que se esforçam para o ser.

Mas antes isso que isto.

6 de abril de 2005


às vezes o meu coração pára.

Não vos acontece também?
quando respirar já cansa,
o sangue deixa de passar,
até que eu digo basta!
depois sorrio como quando se está bem. Iludindo a mente rendo-me ao corpo.
Que é o que passa,
E o que fica guardado nos outros.
Digo o que eles querem ouvir e faço o que me pedem.

(deve ser por isso que o meu coração pára).

6 de Abril de 2005

Vejo os outros lá em cima, lá ao longe.

Vejo-os a todos.

E eu cá em baixo e eles lá em cima e eu aceno e não me vêem e eu chamo-os e não me ouvem.

Desaprendi a falar. Já não falo a língua comum.

Desaprendi a estar. Já não estou.

Uma música que me embala nos caminhos do sonho...Tam tam, tamtam, nananananananaaaa...
Vou indo....assim...como um corpo morto a boiar no meio do nada; num mar sem fim e sem fundo... E a música ecoa e põe-me a cabeça a latejar de tão perfeita e vou indo... Tam tam, tamtam, nanananananananaaaaaa... E eu ali, em baixo; e os outros; todos! lá em cima. Eu a boiar no nada com uma coroa de flores em cima do corpo que alguém pôs de passagem. E vou indo.
Tam tam, tamtam, nananananananaaaa...

(música - eléctrica cadente - dead combo)
http://www.youtube.com/watch?v=g1yROmNbtQI

entreabrir memórias do passado

tudo o que publicar nos próximos tempos são algumas notas de um passado recente...

a partilha eleva-nos ao ponto de nos abstrairmos e percebermos pelo que fomos, o que somos.